Hoje vi uma tarde linda, a mais linda e amarela que já vi.
E só a vi, assim de cima, da janela do meu quarto, porque faltei a um compromisso, por estar com uma gripe daquelas.
Apesar dos prédios grudados no horizonte, tirando minha visão de qualquer pontinha do rio Guajará ou do Sol, não foi um poente passível de despercebimento.
Mas, a história interessante que aqui preciso deixar em memória não é minha e nem desse pôr, é de Chico Buarque de Holanda (uma de muitas). Procurava pelas canções "Você, Você" e "Imagina", compostas por ele. Porém, antes de encontrá-las, deparei-me com a canção "Futuros Amantes" acompanhada da história de seu nascimento, contada pelo próprio Chico. O pano de fundo da inspiração é o Rio de Janeiro, mas a temática e a beleza da letra é universal: ela fala de amor. As outras também têm histórias lindas, mas a que me toca, agora, é essa.
Chico: "Eu estava mexendo no violão e começando a fazer a melodia e aí a primeira coisa que apareceu foi exatamente a cidade submersa, isolada de tudo, porque cantarolando parecia (‘cidade submersa... ’) que a música queria dizer isso. E eu tinha que ir atrás, e depois tinha que explicar essa cidade submersa, tinha que criar uma história. Apareceu exatamente a cidade submersa antes de qualquer outra coisa.
Aí, eu coloquei esses escafandristas e esse amor, né? Esse amor adiado, que fica pra sempre. Essa idéia do amor que existe como algo que pode ser aproveitado mais tarde, que não se desperdiça. E se passa um tempo, passam-se milênios e aquele amor vai ficar até debaixo d'água (...) e vai ser usado por outras pessoas. O amor que não foi utilizado, né? (risos) E que não foi correspondido. Então, ele fica ímpar, pairando ali, esperando que alguém apanhe e complete a sua função de amor”.
Minha humilde reverência ao Chico.